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Quem nunca se empolgou ao assistir um filme de aventura hollywoodiano embalado por uma trilha sonora envolvente, forte e grandiosa, digna de um grande herói e de suas fabulosas façanhas? Pois muito de todo esse universo fictício mas, ao mesmo tempo fantástico, se deve à trilha sonora que permeia todas as cenas de ação desse gênero cinematográfico: a Aventura! E um instrumento musical chamado Trompa (French Horn) é o grande “Herói” dessas trilhas sonoras! Com seu timbre “mutante” – termo que explicarei logo à frente neste breve artigo – a Trompa é capaz de cantar as mais heroicas melodias, com uma força apenas comparável ao herói que ela mesma representa. Basta ao compositor/orquestrador acertar a escolha da região deste instrumento e voilá!!! Aqui estará uma melodia forte, grandiosa e heroica! Mas, nem sempre foi assim…
Utilizada durante o período do classicismo como instrumento de acompanhamento na orquestra, a Trompa sempre foi o elo entre os instrumentos de sopro denominados madeiras e metais. Esse é um grande trunfo atribuído às trompas: trabalham bem com as madeiras em dinâmicas mais leves e saltam para o grupo dos metais nas dinâmicas mais fortes. O timbre sofre alterações de acordo com a dinâmica aplicada e a quantidade de instrumentos que tocam a mesma parte musical dentro desse naipe. Bem, assim aos poucos a Trompa foi ganhando espaço no cenário orquestral. Sua versatilidade timbrística, somada ao crescimento sonoro da orquestra e consequentemente adição quantitativa de instrumentos a esta, fez com que no período romântico alguns compositores eruditos como Wagner e Tchaikovsky atribuíssem ao naipe das trompas melodias grandiosas e heroicas que se tornariam referência mais tarde para a linguagem musical cinematográfica hoje estabelecida. Falo de obras como a Ópera As Valquírias, especificamente da primeira cena do terceiro ato: A Cavalgada das Valquírias e do primeiro movimento da 4ª Sinfonia de Tchaikovsky (compassos 169 a 181) entre tantas outras.
Indiscutível que o timbre das quatro trompas em uníssono, executadas em uma dinâmica forte é a perfeita escolha para representar o heroísmo no cinema. Um timbre nobre e ao mesmo tempo vibrante! E Wagner, em busca de potência sonora já previa o uso de 8 trompas na Cavalgada de suas Valquírias!!! Gustav Holst, 6 trompas em Os Planetas e Stravinsky, 8 trompas na Sagração da Primavera. Uso que nas últimas décadas foi incorporado pelos compositores de trilha sonoras em Hollywood.
French Horn Players

Na esfera dos chamados Instrumentos Virtuais – que simulam timbres orquestrais através de samples, encontramos hoje alguns programas que já preveem esse uso corrente. A East West, pioneira nestes tipo de instrumentos, tem o Hollywood Brass, que oferece uma série de articulações com até 6 instrumentos. A Cinebrass Core, por exemplo, proporciona ao compositor escolher entre um timbre de 2 trompas e outro com 6 trompas em uníssono. Cinebrass Pro, oferece até 12 trompas em uníssono!!! Já The French Horn segue uma linha de modelagem física muito interessante onde o timbre da trompa é modificado de acordo com a dinâmica que o compositor aplica, através do uso de pedal de expressão. Um timbre bastante realista para aqueles que conhecem bem a versatilidade timbrística que esse instrumento pode oferecer.

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